125 Anos do Jornal O Riomaiorense . Sessão Comemorativa (7)

                                                    

 

 

                                     

 

 

 

Eu gostaria de vos dizer o seguinte. Efectivamente o argumento do Adelino quando me pediu para estar presente, foi de recordar o Riomaiorense na altura em que eu o senti mais de perto. Eu preferi ir à procura de uns textos publicados por Maria Alzira Almeida no Região de Rio Maior ultimamente, sobre os cem anos de Rio Maior, e fui encontrar coisas notáveis. Em primeiro lugar esta tem graça porque se refere à família Goucha, que tem aqui aliás uma fotografia da família. Isto foi uma notícia que foi publicada no dia 26 de Dezembro de 1912.

 

Manuela Goucha Soares: É a foto do casamento dos meus avós.

 

Luís Laureano Santos: Exactamente. E aqui está a família Goucha a anteceder a notícia do consórcio. Fazem a referência a uma assembleia muito frequentada e, a certa altura, refere que: "dançou-se um petit blond marcado pelo nosso querido amigo e prezado colega de Redacção, Amarino da Mata Calisto - meu avô, pai da minha mãe - e por sua gentil irmã, Dona Maria da Glória Calisto - minha tia, irmã dele - recitaram-se poemas, acabando finalmente tudo perto das cinco da manhã”. Eu acho notável. Eu acho notável.

 

Depois fui, nesta busca, desculpem já que estou a falar de recordações, no jornal de Abril de 1912, olhem 25 de Abril de 1912, dá-se a notícia de que "se realizou nesta vila o enlace do nosso amigo e assinante José Ferreira dos Santos, comerciante, com a Sra. Dona Elisa da Conceição Laureano, interessante filha do nosso amigo e assinante Joaquim Cardoso Laureano, conceituado comerciante da nossa praça, e de Dona Maria da Conceição Laureano. Na Quinta das Bastidas, propriedade muito pitoresca dos pais da noiva, foi servido um delicioso jantar a que assistiram...", bla, bla. Isto foi o casamento dos meus avós, pais do meu pai, patrono desta biblioteca.

 

Depois, sei que o tenho lá, mas não tive tempo, entre o momento em que fui convidado para vir, até agora, mas sei que houve outro em que foi dada a notícia do nascimento do meu pai. Também mereceu, digamos, referência no Riomaiorense, e também foi escolhido por Maria Alzira Almeida. Tudo isto são, de facto, recordações notáveis. Mas insisto, tudo isto é possível por essa onda cultural desses riomaiorenses notáveis que mantiveram todo um clima nesta vila que confesso, eu creio, pelo menos não conheço que tivesse existido em muitas oportunidades.

 

Eu gostaria de terminar esta minha curta intervenção recordando uma parte de um poema de António Botto. António Botto escreveu um poema que é bastante comprido. Chama-se "Canção da Rua Deserta". Nunca mais acaba, por aí fora. E há quem o diga, cantando a certa altura as respectivas quadras. Mas ele, António Botto, põe, nesse poema, na boca de um fadista, esta quadra:

 

Afirmam que a vida é breve.

Engano. A vida é comprida:

Cabe nela amor eterno

E ainda sobeja vida.

 

Ainda sobeja vida... É essa vida que sobeja que hoje estamos a recordar celebrando os 125 anos de O Riomaiorense, lembrando todos os notáveis que nos antecederam e que viveram e que nos deram aquilo que temos hoje - os nossos queridos, a que nos referimos - com um profundo respeito e com uma enorme saudade.

 

Obrigado.

"(...) lembrando todos os notáveis que nos antecederam e que viveram e que nos deram aquilo que temos hoje - os nossos queridos, a que nos referimos - com um profundo respeito e com uma enorme saudade. "

Luís Laureano Santos

 

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