A Carta de El Bierzo e a Salvaguarda do Património Industrial Mineiro (2)

 

 

 

 

 

 

 

 

2. Conceito de Património Mineiro

 

Inserto paradoxalmente num sector industrial que, depois de viver uma profunda transformação na década de 90, manifesta na actualidade uma forte tendência económica altista, o Património Mineiro Tradicional, ou seja, aquele que se encontra ligado à exploração de carvão, do chumbo, do sal e de outros recursos naturais, converteu-se no epicentro de inúmeros fóruns nacionais e internacionais. Nessas reuniões, ora articuladas em torno das preocupações dos cidadãos ou das próprias Administrações Públicas, o abandono, a deterioração e a perda são conceitos que centram e motivam o discurso de salvaguarda do Património Mineiro.

 

Realizando uma análise detalhada desse discurso pode observar-se que ele girou e gira, em alguns casos, em torno de dois pilares:

 

1. O valor do Património Mineiro como fóssil evocativo de um tempo desaparecido. Tempo interpretado na chave de exploração e camaradagem, tempo iniciático, tempo de progresso tecnológico e de destruição do meio ambiente, em suma, Tempo.

 

2. O valor do Património Mineiro como regenerador de comunidades cuja criação e desenvolvimento se produziu em redor da mina e que com o encerramento da mesma se viram condenadas ao desaparecimento.

 

No entanto, como os grandes projectos de conservação e valorização empreendidos por Comunidades Autónomas, Províncias e Municípios estão a demonstrar, o Património Mineiro vai muito mais além desta concepção simplista. Quando falamos de entradas de mina, galerias, poços ou caminhos de ferro mineiros não nos referimos apenas aos restos de um grande naufrágio, encontramo-nos perante um verdadeiro documento para o estudo da História, da História com maiúsculas. Estamos perante um Património com personalidade própria, derivada de um conjunto de valores:

 

– Valores Históricos;

– Valores Materiais;

– Valores Ambientais;

– Valores Antropológicos;

– Valores Estéticos.

 

A existência destes valores, que conferem uma personalidade própria ao Património Mineiro, é a que determina a necessidade de elaborar protocolos de actuação ou de orientações metodológicas por parte das Administrações Públicas, que permitam orientar as acções nas envolventes da mina.

 

 

Figura 3 - Fábrica de briquetes da Mina do Espadanal, 1954/55. © Colecção Fernando Sequeira Aguiar, Arquivo EICEL1920.

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