A Carta de El Bierzo e a Salvaguarda do Património Industrial Mineiro (4)

 

 

 

 

 

 

 

 

4. Conclusões

 

 

 

Na permanente disputa com o passar do tempo, os gestores de Património conseguiram elevar ao lugar que lhe corresponde, após décadas de esquecimento, o conjunto de bens móveis e imóveis, de natureza material e imaterial, ligados à exploração mineira durante o período da industrialização.

 

Valores históricos, estéticos, antropológicos e ambientais garantem a concepção do Património Mineiro Industrial como fonte de conhecimento para o estudo da História, tendo permitido a elaboração de projectos e estratégias de gestão de carácter integral para este tipo de Património.

 

Assim, não obstante o próprio conceito de caducidade que lateja desde o estabelecimento da mina, a ideia de conferir perpetuidade aos elementos materiais e imateriais da mesma – proporcionando-lhes um novo uso ou simplesmente evidenciando o valor social inerente à sua condição patrimonial – deve constituir o motor das políticas de investigação, conservação e divulgação elaboradas pelas Administrações Públicas. Algumas Administrações que, responsáveis pela preservação e enriquecimento do Património, através de um mandato constitucional, devem conceber as suas actuações no âmbito da mina, tendo como principais objectivos:

 

– O conhecimento exaustivo da mina e do seu entorno, natural e cultural;

– A protecção jurídica dos elementos que integram o complexo mineiro de exploração;

– A conservação dos elementos mais significativos do complexo mineiro;

– O envolvimento e participação activa das comunidades ou grupos humanos em que o complexo mineiro se insere tendo em vista a sua valorização, bem como a sua manutenção.

 

Como a indumentária de trabalho abandonada nas entradas das minas, desafiando o passar dos anos, o Património Mineiro Industrial, adormecido sob o peso dos conflitos sociais que provocaram o seu esquecimento, deve ser resgatado do silêncio que ainda o envolve. São muitos os projectos e iniciativas implementadas para devolver a palavra ao património escondido no interior da Terra e a presente Carta não pretende mais do que converter-se num raio de luz na escuridão dessa mina.

 

 

José Manuel Lopes Cordeiro

 

Figura 6 - Fábrica de briquetes da Mina do Espadanal, detalhe. © Nuno Rocha, 2009.

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