Armando dos Santos Gomes Pulquério (1917-1983) (1)

 

 

                                        Por Nuno Alexandre Dias Rocha

                                                Presidente da Direcção da EICEL1920

 

 

 

 

O espírito dos tempos e dos lugares materializa-se por vezes no esforço de homens que, animados por um ideal de desenvolvimento das comunidades onde nasceram, dedicam a essa causa o melhor das suas vidas, quantas vezes em detrimento de interesses pessoais e sem esperar retribuição.

  

Armando dos Santos Gomes Pulquério dedicou ao engrandecimento de Rio Maior um trabalho persistente e marcado por convicções inabaláveis. Desinteressado dos lugares de poder político ou económico, deixou-nos uma obra que permanece viva como o mais importante testemunho escrito do quotidiano e das aspirações da comunidade riomaiorense durante o período do Estado Novo.

 

Filho de João Gomes Pulquério e de Palmira das Dores Pulquério, naturais de Rio Maior, Armando Pulquério nasceu nesta vila, no dia 3 de Abril de 1917. Aqui viveu uma infância marcada ainda por um tempo ancestral: as velhas ruas calcetadas e iluminadas a carbureto, a água recolhida em cântaros na fonte velha, o repique do sino da torre do cemitério. Saudosas memórias que guardará toda a vida (1). O ambiente bucólico dos lugares da juventude será fonte de inspiração para uma produção poética que cultivará ao longo da vida (2).

 

Frequentou o ensino técnico na Escola Comercial de Rio Maior, complementado com um curso de redacção (3) e estabeleceu-se como comerciante, abrindo uma padaria na Rua Serpa Pinto n.o 23. Constituiu família, casando com Lúcia Alves de Brito Santos Pulquério, com quem terá dois filhos, Celso Brito Santos Pulquério e Mauro de Brito Santos Pulquério.

Em 1949, com trinta e um anos de idade, Armando Pulquério dá início a um desafio que se prolongará por décadas: funda, com António Feliciano Júnior (1928-2017), Fernando Duarte (1928-1985) e João Lopes, a terceira série do jornal O Riomaiorense, da qual será director até 1965.

O primeiro número é publicado a 10 de Fevereiro de 1949, apresentando-se como “quinzenário regionalista e literário”. Com Redacção ao número 23 da Rua Serpa Pinto, o jornal é impresso na Tipografia Comercial de Tomar.

O Editorial deste primeiro número recorda os antigos directores Manoel José Ferreira, António Gomes de Sousa Varela e António Custódio dos Santos, que elege como referência, demarcando-se, no entanto, da “época de balbúrdia, em que cada político era um orador febricitante” (4), na qual foi publicada a série anterior do jornal. O novo Riomaiorense “quer trilhar os passos dos antigos, no tocante à simpatia que irradiaram, aos louros que acolheram, mas de maneira diferente: politicando, erguendo a voz sim, pelo engrandecimento de Rio Maior, deste doce rincão que nos foi berço” (5).

 

Apresenta-nos o seu programa: o jornal tem como objectivo “ser o fiel mensageiro a todos os lares riomaiorenses, nem que eles se encontrem, por imposição do Destino, nas mais remotas paragens, da ascendência imparcial da nossa querida terra, de tudo quanto nela se passar de relevo, das suas necessidades, da exaltação das suas riquezas naturais, ainda dos reparos benéficos (…) numa palavra, de tudo – para seu bem e das letras” (6).

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Figura 1 - Armando dos Santos Gomes Pulquério, década de 50. © Colecção Celso Pulquério.

(1)

PULQUÉRIO, Armando – “Rio Maior da minha infância!...” In O Riomaiorense (5a. Série), n.o 4. Rio Maior, 6 de Janeiro de 1977, pág. 8.

(2)

A produção poética de Armando Pulquério, reunida em três volumes manuscritos, permanece ainda hoje inédita.

(3)

NOBRE, Marcolino – “Retratos do Passado - Biografias (6) Armando Pulquério”. In Tribuna, Edição n.o 338. Rio Maior, 1 de Março de 2001.

(4)

PULQUÉRIO, Armando – “Editorial”. In O Riomaiorense (3.a Série), n.o 1. Rio Maior, 10 de Fevereiro de 1949, pág. 1.

(5)

Idem, ibidem.

(6)

Idem, ibidem.

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