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(Arquivo) Como nasceu a 2.a Série de O Riomaiorense (9)

Por António Custódio dos Santos

In O Riomaiorense (3.a Série) no. 278, de Fevereiro de 1964

 

 

 

 

Confiou-nos, pois, Sua Excelência o Governador, a carta salvadora, a qual foi devidamente reconhecida em Rio Maior e enviada imediatamente para Santarém.

 

Encerrou-se assim, pois, esta momentosa campanha, que principiou, como já se disse, no jornal de 19 de Dezembro de 1912 e terminava no dia primeiro de Maio de 1913.

 

Nossa terceira grande vitória!

 

Mas os ventos lá pela redacção, apesar de todos os triunfos jornalísticos, não estavam soprando nada favoráveis! Francisco Santos, o maior entusiasta na fundação do Jornal e mesmo seu inspirador, filiara-se no partido democrático, redigindo ele próprio a notícia e tecendo sobre ela comentários que não estavam de harmonia com o programa de independência partidária encarado logo no primeiro número e por todos aprovado sem restrições. António Custódio, seu leal amigo de vários anos, fez-lhe ver isto mesmo, com a fraternal estima que lhe dedicava, e terminantemente se opôs à publicação da notícia nos termos em que se achava escrita.

 

Manifestando-se de acordo com a opinião do seu amigo, que lhe propusera umas alterações no artigo, declarou que desistia então de lhe dar publicidade. No dia seguinte, contudo, escrevia uma carta a António Custódio, pedindo que retirasse o seu nome da cabeça do Jornal como Redactor Principal, decisão que declarava ser inabalável, mas prometendo continuar a dar-lhe a mesma assistência como até ali, inclusivé manter a Secção Pedagógica, o que efectivamente cumpriu.

 

No dia 5 de Setembro do mesmo ano da fundação, António Custódio via-se forçado a começar acumulando o cargo de administrador, com o de Redactor Principal. Mas não era tudo. No dia 26 de Dezembro chegava a vez de Sousa Varela, o amigo leal e companheiro querido de todos, que tendo deixado o lugar de Administrador do Concelho, e precisando dedicar-se exclusivamente aos seus negócios, se despedia de tão bons colegas com a mais viva saudade. Rogava encarecidamente que fosse retirado o seu nome de Director e oferecia os seus limitados mas sinceros préstimos na Vila da Marmeleira.

 

E aqui temos nós António Custódio investido, contra sua vontade, em três cargos: o de Director, Redactor Principal e Administrador!

 

Não era, porém, homem para desanimar. Parecia antes que o Destino o tinha reservado para as grandes lutas, para as desilusões mais amargas, como que a experimentar-lhe a resistência, a prevení-lo contra o muito pior que teria de vir!...

 

O Riomaiorense continuou, pois. Vários distintos colaboradores lhe chegavam de diferentes pontos, o que facilitava não somente o trabalho de António Custódio, mas tornava o Jornal cada vez mais interessante e mais apreciado.

 

Em 26 de Julho de 1913 e 13 de Dezembro do mesmo ano, chegava a vez dos dedicados amigos Amarino Calisto e Eugénio Casimiro, alegando motivos vários, deixarem os cargos que com tanto carinho haviam ocupado!

 

Ficava definitivamente António Custódio como viúva abandonada, entregue, sozinho, às responsabilidades dum semanário ao qual vinha dando todo o vigor da sua energia, mas que só muito casualmente concorrera para a sua fundação! Parecia que os companheiros afastados dos seus postos haviam saído incompatibilizados com aquele solitário colega. A verdade, porém, é que a amizade que antes os unira continuava inalterável e todos procuravam, tanto quanto possível, e no limite máximo das suas forças, tornar menos pesada a tarefa ingente do seu prestante e bom amigo!

 

E o jornal continuava, decidido, pontual, sem faltar uma semana, nem mesmo um só dia!

 

Completado o primeiro ano de fundação, lá se encontravam, todavia ocupando os seus lugares de secretário da Redacção e de Editor, respectivamente Eugénio Casimiro e Amarino Calisto.

 

Lembrando essa grata efeméride, António Custódio lamentava a saída dos velhos e saudosos companheiros Sousa Varela e Francisco Santos, num simples e despretensioso artigo, no qual agradecia também a cooperação valiosa, dedicada e amiga que tinha recebido de todos os distintos colaboradores, dos assinantes em geral, e do bom e generoso povo de Rio Maior em particular.

 

Quando chegou o segundo aniversário, já na cabeça do Jornal se lia apenas isto: Director, Proprietário e Editor – António Custódio dos Santos.

 

Como na escalada de difícil e perigosa montanha, em que os componentes do gupo se fossem deixando cair, desanimados, ao longo da atribulada ascenção e só um conseguisse atingir a meta desejada, António Custódio chegava ao término destes dois anos, e sem que a consciência o acusasse da menor parcela de deslealdade para com os seus estimados e distintos companheiros, olhava em redor de si e não via mais ninguém!

 

Todos haviam ficado ao longo da difícil caminhada, exaustos, esmorecidos, descrentes!...

 

Mas, como que para provar a vitalidade do Jornal e a confiança cega do seu director no triunfo final das nobres causas ali continuamente defendidas, O Riomaiorense ao entrar no terceiro ano da sua publicação, isto é, no número 105, embandeira um arco: publica um número especial de seis páginas dedicado a Rio Maior e apresenta nada menos de oito fotografias dos pontos mais interessantes da nossa adorada Terra e dos seus encantadores arredores!

 

Este número constituiu um autêntico sucesso jornalístico! Esgotou-se rapidamente a edição, nesta altura já de 1.000 exemplares, e como houvesse ainda muito mais pedidos tendo nós ficado até sem os exemplares para as permutas e para as próprias colecções, telegrafámos imediatamente à tipografia se não seria possível arranjar-nos, pelo menos mais cem exemplares, explicando o sucesso da edição.

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