Democratização dos centros históricos locais e o caso de Rio Maior

 

 

                                        

                                         Por Francisco Pascoal

 

 

 

 

Os centros históricos locais passam muitas vezes despercebidos, por vezes sendo confundidos com simples zonas de edifícios antigos, às vezes abandonados e em estado de degradação. No entanto, são os berços das localidades e centros de identidade cultural, mas mais importante, são espaços públicos com edifícios que são do interesse público.

São estes espaços que valorizam a cultura local e, por consequência, a população local, pois são espaços de vivências acumuladas ao longo dos anos e com marcas das diferentes políticas vividas, por vezes com marcas de regimes inteiramente diferentes.

 

Normalmente só se valorizam os espaços históricos mais aparentes e óbvios, como os castelos e os palácios, contudo, as habitações, os espaços de trabalho, os espaços religiosos, os espaços de convívio e lazer, todos esses espaços também são importantes e transversais às várias “classes sociais”.

 

Com efeito, estes espaços devem ser preservados e cuidados pelas entidades públicas responsáveis e democraticamente eleitas para o efeito, quanto aos edifícios em claro estado de degradação e abandono, cabe às mesmas entidades públicas tomar a iniciativa e iniciar projetos de restauração e conservação.

 

Do ponto de vista urbanístico, é necessário que estes espaços acompanhem o evoluir dos tempos, a modernização é importante para que novas marcas culturais tenham espaço de existência, dizer isto não é dizer que se deve destruir os espaços antigos para construir espaços novos, é dizer que tem de haver um enquadramento equilibrado dos diferentes fatores: preservar e cuidar os espaços, mas também modernizar esses espaços.

 

O que não pode acontecer é a estagnação da indecisão política, o abandono ou o caos de diferentes planos inacabados que se vão sobrepondo uns aos outros. Na tomada de decisão pública, não basta que sejam apresentados planos já feitos sobre o que vai ser feito destas zonas, é necessário que os planos sejam feitos em conjunto com a população local, com as pessoas que lá vivem e com as associações que têm maior intimidade com esses centros históricos.

 

E, claro, tudo isto para se abordar o caso da cidade de Rio Maior, exemplo de uma cidade com um centro histórico em mudança, que sobrepõem marcas de períodos muito diferentes uns dos outros.

 

Há associações locais preocupadas com as obras de remodelação da zona antiga da cidade de Rio Maior e a própria população parece reticente e dividida em opiniões, é necessário haver obras, mas os planos dessas obras devem ser construídos em conjunto com a população local e abertos às críticas construtivas que têm sido apresentadas.

 

Essa abertura e auscultação da população local é fundamental para o sentimento de que os espaços públicos são geridos democraticamente e que fazem parte de um património comunitário e, portanto, comum.

 

Francisco Pascoal

 

Figura 1 - Rua Serpa Pinto. Nocturno. © Nuno Rocha, 1999. Arquivo do jornal O Riomaiorense.

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