(Editorial) Património Mineiro

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cento e vinte e dois anos separam a nova série do jornal O Riomaiorense do primeiro número publicado em 1893 por Manuel José Ferreira. Entre as duas datas, um século de todas as transformações.

 

O Riomaiorense, concebido nos últimos anos de oitocentos por um professor progressista, determinado em transformar uma vila rural do Portugal monárquico, ressurgiu sempre, nas décadas que se seguiram, integrado de forma crítica e independente nos diferentes momentos históricos da comunidade nacional. As páginas deste velho periódico mobilizaram a palavra de personalidades marcantes da vida local e acompanharam a construção da cidade que, pela acção determinada, nos souberam legar. Um esforço colectivo que nos cabe honrar e continuar.

 

Num tempo marcado pela erosão de vinculos de pertença, invocamos o capital humano acumulado em cem anos de páginas escritas, como inspiração para possíveis linhas de rumo de valorizacão da nossa comunidade - o valor gerado pelo trabalho tantas vezes anónimo dos riomaiorenses que consolidaram os espaços que hoje percorremos e aperfeiçoaram as redes de solidariedade e interacções humanas que nos definem como comunidade, mais do que simples conjunto de indivíduos ocasionalmente habitando um mesmo lugar.

 

A cidade enquanto espaço de criatividade e conhecimento depende de uma permanente capacidade de reinterpretar e desenvolver as caracteristicas que a tornam autêntica, que lhe conferem uma identidade. Cidade democrática e participada, o seu sucesso assentará na capacidade de reconhecer e promover o envolvimento dos cidadãos num processo de reinvenção criativa.

 

É neste enquadramento que se situa a razão de ser de uma nova série do RIomaiorense. Na era digital, este antigo periódico propõe-se estimular e divulgar a investigação sobre a história e o património do concelho de Rio Maior. É nosso objectivo fomentar a participação cívica e o debate de ideias no campo específico do património histórico e arquitectónico.

 

Publicação de carácter científico, o Riomaiorense terá uma periodicidade anual, com edições temáticas em actualização permanente. No centenário das minas de carvão de Rio Maior, o primeiro número é dedicado ao património mineiro.

 

Em 1915 o nosso jornal publicou as primeiras notícias da descoberta que viria a transformar o tecido socioeconómico da vila, e que teve como principal impulsionador o nosso antigo Director, António Custódio dos Santos. É o próprio Custódio dos Santos que convocamos hoje, desde páginas longínquas dos nossos arquivos, para nos contar, na primeira pessoa, a história de "como foi descoberto o carvão em Rio Maior".

 

Cem anos depois, o património mineiro continua vivo. Nele se materializam não apenas memórias, mas também projectos de futuro. O presente número de O Riomaiorense reflecte o trabalho feito no âmbito da sociedade civil, reunindo contributos da investigação histórica e da cidadania activa, para a recuperação da memória colectiva de uma comunidade mobilizada na defesa e valorização do seu património.

 

Rio Maior, 6 de Novembro de 2015.

Nuno Rocha



 

Figura 1 - Vagoneiro em galeria de rolagem da Mina do Espadanal. Fotografia por José Lobo. Reprodução de O Século Ilustrado n.º 888, de 8 de Janeiro de 1955.

Director e Proprietário: Nuno Alexandre Dias Rocha, 2015-2018. © Todos os direitos reservados.                                                                                             Distribuição gratuita

  • w-facebook
  • w-tbird
  • w-googleplus