Memórias da Quinta Série de "O Riomaiorense"

                                                    

 

 

                                      

                                            

                                            

 

 

 

Em 1976 fui convidado para abraçar, como diretor, um projeto que, desde logo, me entusiasmou: pôr de novo, na “rua” o jornal que durante dezenas de anos motivou a convivência social de várias gerações de meus conterrâneos: “O Riomaiorense”.

Era, então, um jovem amante de “história“ que, da meninice à maioridade, viveu entre o burburinho do café do seu pai e a rotineira pacatez dos dias de escola. Vivência sempre inebriada pelas “historietas” narradas pelos mais velhos, num tempo em que as pessoas falavam umas com as outras nos espaços públicos da época, conforme o seu escalão social: os cafés e as tabernas.

 

Eram motivo de falatório, entre o mais, as notícias veiculadas pelos jornais, pela rádio e já um pouco, pela televisão – a modernidade comunicacional da época. Mas o que vinha impresso nos jornais locais era, de facto, a grande motivação das conversas.

 

Naturalmente aceitei o honroso convite. Suceder a Manuel José Ferreira, primeiro diretor de “O Riomaiorense”, julho de 1893, a que se seguiu uma plêiade de figuras notáveis da minha terra, de quem ouvia as mais elogiosas referências, era motivo de orgulho e, simultaneamente, uma grande responsabilidade.

 

Recebi o testemunho da direção do jornal das mãos de quem tive o privilégio de conhecer, Armando Pulquério, conterrâneo que marcou, ao tempo, a nossa vida económica, social e cultural.

 

Foi com grande ansiedade e enorme entusiasmo que, numa noite fria e chuvosa de dezembro de 1976, numa tipografia, então situada na Rua Almirante Cândido dos Reis, vi sair das máquinas o primeiro número de 5ª série de “O Riomaiorense”, sendo eu o seu Diretor.

 

Mais tarde, dirigi a 7ª série, entre 1992 e 1993.

 

Ter exercido as funções de diretor de "O Riomaiorense”, foi um dos momentos altos da minha vida pública.

 

Durante esse tempo, e sob o lema “Um Jornal sempre ao serviço de Rio Maior”, assinalamos os anseios e desilusões dos riomaiorenses.

 

Percorrer o publicado é visitar a história local. História que vem desde os fins do séc. XIX. E, no início do séc. XX, noticiou a Implantação da República e deu conta do desejo da linha férrea entre Setil e Peniche passando por Rio Maior.

 

Nessas duas séries registamos as primeiras eleições autárquicas; a denúncia do consumo de droga entre os jovens; a polémica da Central Térmica; os anseios de grandes investimentos; a opinião de quem se interessava pelo nosso dia-a-dia;  a nossa vida económica, social e cultural.

Enfim, fomos um jornal verdadeiramente ao serviço de Rio Maior e dos Riomaiorenses.

 

Silvino Sequeira

 

Ter exercido as funções de diretor de "O Riomaiorense", foi um dos momentos altos da minha vida pública.

 

Figura 1 - O Director e os colaboradores da 5a. Série do Riomaiorense durante a tiragem do primeiro número. Oficinas da tipografia F. M. A & Novais Limitada, Dezembro de 1976. 

© Colecção Francisco Pascoal.

   Por Silvino Sequeira

   Presidente da Câmara Municipal de Rio Maior entre 1985 e 2009

   Director da 5.a série de O Riomaiorense (1976-77)

Director e Proprietário: Nuno Alexandre Dias Rocha, 2015-2018. © Todos os direitos reservados.                                                                                             Distribuição gratuita

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