Memórias da Comunidade Mineira de Rio Maior, 1916-1969 (2)

 

 

 

 

 

A transição entre as décadas de 30 e 40 foi marcada por novas perspectivas de desenvolvimento da lavra mineira. Em plena II Guerra Mundial, o Estado português foi confrontado com a necessidade de incrementar a produção nacional de combustíveis fósseis para fazer face a crescentes dificuldades de importação de carvões estrangeiros.

Comprovada a viabilidade industrial do couto mineiro, o Governo atribuiu às minas de Rio Maior um papel de relevância no panorama nacional de produção de combustíveis através da publicação em 1942 de diploma legal, no qual foram definidas as medidas a adoptar para a exploração em larga escala, e se determinou a construção de via-férrea de ligação das minas à rede ferroviária nacional.

Nos anos seguintes procedeu-se ao reequipamento da mina segundo plano de lavra elaborado pelo engenheiro João Monteiro Conceição, e foi já sob orientação de novo director-técnico que desempenhou um papel importante no desenvolvimento industrial das minas de Rio Maior, engenheiro Luís Abreu Falcão Mena, que se inauguraram em 1945 três estruturas fundamentais do couto mineiro: o plano inclinado de extracção (figura 2), a primeira unidade de secagem de lignite e o ramal ferroviário Rio Maior – Vale de Santarém (figura 3).

Com a conclusão das infra-estruturas a lavra mineira intensificou-se, atingindo em 1945 o maior volume de produção desde o início da exploração.

O investimento do Governo na lavra intensiva das minas do Espadanal resultou numa significativa transformação do tecido social riomaiorense. Entre 1942 e 1945 fixaram-se em Rio Maior cerca de 1500 pessoas, entre mineiros e respectivas famílias, numa freguesia que em 1940 contava com apenas 6760 habitantes.

 

No pós-guerra, o futuro do avultado investimento público em infra-estruturas e do movimento social criado pela exploração intensiva da mina, foi equacionado. Nos anos de 1946 a 1950 desenvolveram-se estudos para um aproveitamento industrial das lignites de Rio Maior que assegurasse a manutenção da mina enquanto reserva estratégica de combustível.

Em 1951 foi tomada decisão final pelo investimento numa unidade de secagem de lignite e produção de briquetes. A 25 de Novembro, o Ministro da Economia, Ulisses Cortês, deslocou-se a Rio Maior para visita à Mina do Espadanal (figura 4) e apreciação do projecto da fábrica de briquetes, concebido pela empresa alemã Buckau R. Wolf.

A obra, inovadora no panorama nacional de extracção de carvões, foi financiada pelo Estado através de empréstimos do Fundo de Abastecimento e do Fundo de Fomento Nacional.

O conjunto edificado, concluído em Junho de 1955,  tornou-se uma referência na paisagem urbana riomaiorense (figura 5).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A 9 de Dezembro de 1955, a empresa concessionária foi transformada em sociedade anónima de responsabilidade limitada, passando a designar-se Empresa Industrial, Carbonífera e Electrotécnica, SARL (EICE SARL), sendo o capital social elevado para 7.000.000$00. O Estado, principal credor da empresa, assumiu-se como accionista maioritário, através do Fundo de Fomento Nacional, somando um capital de 3.500.000$00.

Com o início da laboração da fábrica, a Mina do Espadanal estabilizou numa lavra regular por um período de cerca de 10 anos.

 

Figura 2 - Plano Inclinado de Extracção da Mina do Espadanal. Obras de cobertura da receita exterior, Maio de 1945. © Colecção Joaquim Faria Ribeiro, Arquivo EICEL1920.

Figura 3 - Via-férrea Rio Maior – Vale de Santarém. Trabalhos no cais, ainda inacabado, em Julho de 1945. © Colecção Joaquim Faria Ribeiro, Arquivo EICEL1920.

Figura 4 - Visita do Ministro da Economia, Dr. Ulisses Cortês, ao Couto Mineiro do Espadanal, a 25 de Novembro de 1951. Apresentação do projecto da fábrica de briquetes. Em primeiro plano: Eng. Joaquim Ferreira do Amaral, Dr. Astério Rosa, Dr. Ulisses Cortês, Eng. Luís Falcão Mena e Eng. Alexandre Matias. © Colecção Luís Falcão Mena, Arquivo EICEL1920.

Figura 5 - Fábrica de briquetes da Mina do Espadanal. 1955-58. (Reprodução de Aguiar, Fernando, 1958).

Director e Proprietário: Nuno Alexandre Dias Rocha, 2015-2018. © Todos os direitos reservados.                                                                                             Distribuição gratuita

  • w-facebook
  • w-tbird
  • w-googleplus