(Opinião) Património Industrial e Turismo

 

 

 

                                       Por Jorge Mangorrinha

                                            Presidente da Mesa da Assembleia-Geral da EICEL1920

 

 

 

 

O binómio Património Industrial-Turismo é relativamente novo, no contexto da valorização turística da indústria e das histórias e do património associados. A dinâmica verificada em diferentes locais tem tido como objectivo específico dar dimensão turística a indústrias tradicionais ou mesmo a indústrias tecnológicas e criativas. Importa, neste contexto, sublinhar o património remanescente após o fim das actividades, pois será neste que se enquadra o caso particular do Complexo Mineiro do Espadanal, em Rio Maior.

 

O Turismo Industrial incorpora produtos turísticos com valor económico, cultural e lúdico, através dos quais os turistas podem “reviver” actividades de outros tempos e visitar espaços museológicos ou mesmo ainda em actividade. Mas também importa relevar o papel que ele possa ter para as populações residentes, pois é testemunho próximo das comunidades e da sua história.

 

Do já vasto leque de edifícios industriais classificados pela Direcção-Geral do Património Cultural e outros inventariados ou mesmo classificados localmente fazem parte obras públicas ou infraestruturas relacionadas com a industrialização dos diversos sectores produtivos ou com a utilização de materiais decorrentes da Revolução Industrial. Desejavelmente, o modelo mais interessante de intervenção é o de preservar o todo ou uma parte substancial da forma original, transformando-o num espaço vivenciado com significado histórico e valor, para além da envolvente relacionada com a actividade original, como as minas, por exemplo.

 

O caso mundializado de Essen pode ser um exemplo para uma futura intervenção em Rio Maior. Essa que se tornou na maior mina de carvão da Europa suspendeu a sua actividade em 1986 e as autoridades regionais listaram-na no património cultural e, nos anos seguintes, criaram estruturas de monitorização e meios de financiamento. Foi inscrita, em 2001, na lista da UNESCO e foram criados um museu, uma escola de arte infantil, restaurantes e outras áreas de debate, exposição e lazer.

 

Este tipo de património alicerça-se em recursos endógenos, pode gerar uma forte ancoragem nas dinâmicas culturais locais e deve integrar um novo modelo de desenvolvimento económico, social e territorial, pelo que criar, em Rio Maior, uma memória cientificamente sustentada na refuncionalização de um edifício modernista, no quadro do complexo edificado das minas de lignite do Espadanal, é reforçar – eu diria mais, inaugurar – um despertar turístico para a cidade e colocá-la, inteligentemente, na rota mundial do património industrial mineiro.

 

 

Jorge Mangorrinha

Figura 1 - Museu do Ruhr. Antiga mina de carvão de Zollverein, Essen, Alemanha.

© Leonor Medeiros, 2014.

Figura 2 - Museu do Ruhr. Antiga mina de carvão de Zollverein, Essen, Alemanha.

© Leonor Medeiros, 2014.

"O caso mundializado de Essen pode ser um exemplo para uma futura intervenção em Rio Maior."

 

 

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