Alexandre Laureano Santos

Algumas notas biográficas relativas a Rio Maior

                                                    

 

 

                                         Por Alexandre José Calisto Laureano Santos

                                            

 

 

Alexandre Laureano Santos era natural de Rio Maior tendo nascido em 12 de novembro de 1913 no seio de uma família de comerciantes. Foi o filho único de José Ferreira Santos e de Elisa Laureano Santos.

José Ferreira Santos nascera numa família rural no concelho de Mangualde. Sendo o primeiro filho viera da Beira para as Caldas da Rainha procurar outras perspetivas de vida e uma ocupação no comércio local. Um dos seus irmãos emigrara para os Estados Unidos da América onde constituiu família tendo singrado na vida como agricultor e proprietário rural. José Ferreira Santos, após alguns meses num estabelecimento das Caldas da Rainha, veio para Rio Maior trabalhar na casa comercial de Joaquim Cardoso Laureano, comerciante armazenista de Rio Maior que se dedicava ao comércio de mercadorias a retalho e por grosso no concelho de Rio Maior. As lojas das pequenas comunidades circunvizinhas da vila vinham abastecer-se no seu estabelecimento localizado na rua David Manuel da Fonseca.

Elisa Laureano Santos era a primeira filha de Joaquim Cardoso Laureano e de Maria da Conceição Lopes Laureano, natural do Lugar da Fonte da Bica. José Ferreira Santos, como era habitual nesta época, recebeu o apoio, os conselhos e os ensinamentos do seu patrão riomaiorense, tendo casado com a sua filha mais velha. Aliás, um facto semelhante iria acontecer com a outra filha do honrado comerciante, Olívia da Conceição Laureano que viria a casar com um outro empregado da casa comercial, José de Deus que foi o pai de Joaquim Pereira de Deus. Deste outro casamento nasceu Elisa Alice Laureano de Deus que viria casar com Fernando Casimiro Pereira da Silva, os quais foram os pais da Dra. Maria Olívia de Deus Pereira da Silva Vieira e do Dr. Eduardo Casimiro de Deus Pereira da Silva. Os dois primos por afinidade Alexandre Laureano Santos e Fernando Casimiro Pereira da Silva iriam acompanhar-se durante longos períodos das suas vidas.

 

 

Alexandre Laureano Santos fez a sua escola primária em Rio Maior. Aos dez anos, a conselho de seu avô, iniciou o curso do ensino secundário em regime de internamento no Colégio Liceu Português da Figueira da Foz onde se manteve até ter terminado o quinto ano. No início e no termo de cada ciclo letivo, os seus pais faziam a viagem de Rio Maior à Figueira no seu automóvel próprio. O Colégio da Figueira era então conhecido em todo o país pelos seus métodos pedagógicos extremamente avançados e pelos seus excelentes professores. Tinha um sistema de créditos concedidos aos alunos segundo o qual os mais classificados eram premiados pelo seu comportamento e pela sua aprendizagem nas várias disciplinas. Os créditos poderiam ser utilizados na prática de desportos como a vela, o ténis, o atletismo e a equitação, atividades que eram facultadas pela escola tendo o apoio de instrutores preparados nas várias áreas. Havia também o ensino organizado de música.

 

O colégio tinha oficinas de mecânica e de eletricidade com a presença de mestres, um laboratório de fotografia, uma biblioteca e uma tipografia artesanal que editava regularmente um jornal. Os alunos mais classificados tinham responsabilidades na coordenação das atividades. Alexandre Laureano Santos nunca teve grande empenho na prática dos desportos. Sendo um excelente aluno esteve sempre no quadro de honra do colégio; frequentava regularmente a biblioteca cujo sistema de catalogação dos livros dominava completamente. Durante vários anos foi o coordenador da oficina de tipografia e do laboratório de fotografia. Foi redator do jornal do colégio tendo adquirido o gosto pela literatura, pela música e pelo jornalismo. Conhecia os autores clássicos da literatura portuguesa, espanhola e francesa. Leu a extensa bibliografia de Júlio Verne; mais tarde iria transmitir aos seus filhos o gosto pelos livros do escritor francês.

 

Neste período Alexandre Laureano Santos foi particularmente influenciado pela figura do então diretor do colégio, Dr. Artur Bívar, um pedagogo ilustre e muito culto. Artur Bívar foi um publicista, escritor e poliglota de larga projeção nacional, tendo colaborado em muitos jornais e travado várias polémicas com homens notáveis do seu tempo como Teófilo Braga, Miguel Bombarda, Manuel de Arriaga e Brito Camacho. Publicou múltiplos livros sobre educação e sobre pedagogia, entre os quais um dicionário multilingue que ainda é citado nos tempos atuais.

José Ferreira Santos faleceu subitamente aos 35 anos de idade. Nesta altura Alexandre Laureano Santos encontrava-se no quinto ano do liceu como aluno interno no Colégio da Figueira da Foz. A partir do início do sexto ano passou a frequentar o Liceu Nacional de Sá da Bandeira em Santarém, visto que, sendo filho único, poderia estar mais próximo de sua mãe. Não completaria, no entanto, o curso dos liceus e o ensino secundário. Havia a possibilidade de admissão nas Universidades mediante provas especiais ad hoc, com avaliações da cultura global e de cultura específica para cada uma das Faculdades. Preparou-se para essas provas na Universidade de Lisboa. Mediante os resultados entrou na Faculdade de Direito. Nesse ano foram admitidos na Universidade apenas dois candidatos através de provas ad hoc, por sinal ambos alunos do Liceu de Santarém: Alexandre Laureano Santos na Faculdade de Direito e Agnelo Galamba de Oliveira no Instituto Superior de Agronomia. No período em que se preparava para aqueles exames teve explicações de literatura, de história e de cultura geral com o apoio de um escritor e notável intelectual que mais tarde iria emigrar para os Estados Unidos da América e teria uma obra literária extensa e notável - José Rodrigues Miguéis. Depois da admissão na Faculdade de Direito mantiveram o contacto. Esta ligação teve grande influência na formação cultural complementar do jovem candidato a jurista.

 

Completou o curso de Direito no período entre 1931-36. Na mesma época frequentou o curso de Direito da Universidade de Lisboa um brilhante intelectual comunista - Álvaro Cunhal - do qual sempre se distanciou. Foi esta uma época muito agitada política e culturalmente, durante a qual se afrontavam os ideias que iriam desencadear e fomentar a terrível Guerra Civil na vizinha Espanha entre 1936 e 1939 e arrastar a Europa e o Mundo para a Segunda Grande Guerra Mundial. No nosso país impunha-se o consulado de Salazar; em 1933 fora aprovada a nova constituição pela Assembleia Constituinte.

 

(continua na página seguinte)

 

Figura 1 - Alexandre Laureano Santos.

© Alexandre José Calisto Laureano Santos.

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