Luís Falcão Mena. O Homem e a Obra (1)

 

 

                                        Por Nuno Alexandre Dias Rocha

                                                Presidente da Direcção da EICEL1920

 

 

 

 

Luís Abreu Falcão Mena nasceu a 1 de Janeiro de 1917 na freguesia da Pena, em Lisboa, filho de Fernando Falcão Pacheco Mena e de Maria Emília Pacheco de Almeida Abreu Mena.

Entre 1929 e 1935, estudou no Colégio Militar, em Lisboa, onde concluíu o ensino secundário.

Aos dezoito anos de idade, ingressou no Instituto Superior Técnico (aluno n.º 649), no curso de Engenharia de Minas (figura 1). Enquanto estudante de engenharia, cumpriu o serviço militar obrigatório, frequentando, em 1939, o Curso de Oficiais Milicianos na Escola Prática de Artilharia de Vendas Novas. Concluiu, no ano lectivo de 1941-1942, todas as cadeiras, tirocínios regulamentares, trabalhos de oficinas e laboratórios do curso de Engenharia de Minas.

Entre 28 e 30 de Março de 1942 participou em Retiro da Juventude Universitária Católica, nos Olivais, em Lisboa.

Ainda neste ano, casou, a 6 de Outubro, com Maria Helena Russel de Castro Ataíde Cordeiro (17.02.1921), na freguesia de S. Vicente, em Abrantes. Desta união nasceram dois filhos e três filhas: Maria Margarida Ataíde Cordeiro Mena, Luís Fernando Cordeiro Falcão Mena, Maria da Conceição Cordeiro Falcão Mena, Maria Helena Cordeiro Falcão Mena e José Fernando Cordeiro Falcão Mena.

Um mês após o casamento, em plena Segunda Guerra Mundial, foi mobilizado como Alferes Miliciano de Artilharia, para a ilha de S. Vicente, em Cabo Verde. Durante o período de mobilização em Cabo Verde, obteve, a 6 de Abril de 1943, a Carta de Curso de Engenharia de Minas do Instituto Superior Técnico. Em Outubro de 1943, concluiu a Comissão em Cabo Verde e regressou à Metrópole. 

  

Em 1944, Falcão Mena foi convidado pela Empresa Industrial, Carbonífera e Electrotécnica, Limitada (EICEL), a assumir a direcção-técnica dos Coutos Mineiros do Espadanal (lignite), Quinta da Várzea (lignite) e Rio Maior (diatomite), durante a grave crise no abastecimento de combustíveis ao país gerada pela Grande Guerra. As minas de Rio Maior cumpriam, desde 1942, uma função estratégica no abastecimento de combustíveis à região de Lisboa. A EICEL apresentou proposta de nomeação ao Conselho Superior de Minas a 13 de Dezembro de 1944, que seria aprovada em pareceres daquele Conselho datados de 27 de Dezembro de 1944 e 5 de Fevereiro de 1945 (1). A nomeação de Luís de Abreu Falcão Mena para director técnico dos Coutos Mineiros do Espadanal, Quinta da Várzea e Rio Maior, foi publicada no Diário do Governo n.º 53, 3ª série, de 6 de Março de 1945.

O novo director técnico fixou então residência em Rio Maior, em casa alugada pela EICEL, ao n.º 20 da Rua do Enxerto, actual Rua do Jornal O Riomaiorense (figura 2).

O primeiro ano de funções de Falcão Mena nas Minas de Rio Maior foi marcado pela obtenção dos primeiros resultados concretos do esforço conjunto do Governo e da EICEL no reapetrechamento da lavra mineira.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A 18 de Abril foi inaugurado o Plano Inclinado de Extracção da Mina do Espadanal (figura 3), construído segundo projecto do antigo director-técnico, Eng. João Monteiro da Conceição.

Alguns dias depois, a 24 de Abril, foi aberta à circulação a via-férrea Rio Maior – Vale de Santarém (2). Em Março de 1946 concluiu-se com sucesso a instalação de uma unidade experimental de secagem de lignite, concebida pelo engenheiro romeno Gregori Filitti.

A produção da Mina do Espadanal ascendeu, no ano de 1945, a 75.874,74 toneladas de lignite tal qual – o volume mais elevado desde o início da actividade (3).


 

Figura 1 - Bilhete de Identidade de aluno do Instituto Superior Técnico, 1935.

© Colecção Luís Falcão Mena, Arquivo EICEL1920.

Figura 2 - Antiga residência de Luís Falcão Mena em Rio Maior. Rua do Jornal O Riomaiorense n.º 20, 2009. © Colecção Nuno Rocha, Arquivo EICEL1920.

(1)

[Proposta da EICEL para nomeação de Luís de Abreu Falcão Mena para director técnico do Couto Mineiro do Espadanal] Lisboa, 13 de Dezembro de 1944. 1p. AHMIN, LNEG

[Declaração de Luís de Abreu Falcão Mena assumindo a direcção técnica do Couto Mineiro do Espadanal] Lisboa, 15 de Dezembro de 1944. 1p. AHMIN, LNEG

Figura 3 - Inauguração do Plano Inclinado de Extracção da Mina do Espadanal, baptizado com o nome do administrador Eng. Cílio Rosa (em cima, ao centro).

Em baixo, à esquerda, Luís Falcão Mena. 18 de Abril de 1945. © Colecção Luís Falcão Mena, Arquivo EICEL1920.

(2)

“O Acontecimento da Quinzena. Principiou a funcionar a linha-férrea de Rio Maior”. In Concelho de Rio Maior n.º 163, de 1 de Maio de 1945.

(3)

MENA, L.F. – Relatório referente às actividades do Couto Mineiro do Espadanal no ano de 1945. Rio Maior, 31 de Janeiro de 1946. 6p + 1 peça desenhada. AHMIN, LNEG.

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