O Centro Histórico de Rio Maior. Proposta de salvaguarda (5)

 

 

                         

 

 

 

1.4 – (Século XX) O Estado Novo. Desenvolvimento industrial e expansão urbana

 

 

Entre 1926 e 1974, com a ditadura militar e o Estado Novo, a vila expande-se e são construídos alguns dos seus equipamentos mais qualificados nas novas áreas urbanas. São os anos do desenvolvimento industrial com a exploração da Mina do Espadanal. Nas décadas de trinta e quarenta são abertas a Rua Salazar (actual Rua Dr. Francisco Barbosa) e a Rua dos Centenários, mais tarde renomeada em homenagem ao Prof. Manuel José Ferreira, e construídos equipamentos como o novo Hospital da Santa Casa da Misericórdia (1926-33), o novo Matadouro Municipal (1932-35), a Casa do Povo de Rio Maior (1941), e as duas Escolas Primárias do Plano dos Centenários (1949).

  

Com a exploração intensiva da Mina do Espadanal durante a II Guerra Mundial e em resposta ao aumento significativo da população, devido à chegada de mineiros e respectivas famílias à vila, são construídos novos bairros periféricos. Surgem então o bairro mineiro do Abum (anos 40), o Bairro do Padre Américo (1952) e o Bairro de Santa Bárbara (1959) (24). Entre 1942 e 1945 é construído o caminho de ferro mineiro de Rio Maior ao Vale de Santarém (25). Paralela à via-férrea surge a Rua Nova do Gato Preto.

A Câmara Municipal lança, em 1945, o primeiro Plano de Urbanização da Vila, que apenas terá concretização a partir de 1968, com a abertura da Rua A (actual Avenida Paulo VI). Nas décadas de cinquenta e sessenta são executados os mais importantes projectos de Arquitectura Moderna em Rio Maior, a fábrica de briquetes da Mina do Espadanal (1951-55), o Palácio da Justiça (1956-61) e a nova Igreja Matriz (1965-68) (26).

 

O posicionamento de Rio Maior na rede viária nacional é valorizado com a passagem da nova Estrada Nacional n.o 1 pela vila. Integrada nesta obra, é aberta uma variante entre o cemitério e a Freiria, com uma nova ponte sobre o rio Maior, construída entre 1955 e 1957 (a actual Avenida dos Combatentes), que potenciará uma nova área de urbanização.  

 

A zona antiga da vila é, durante este período, consolidada com algumas obras e edifícios que lhe introduzem elementos de modernidade arquitectónica, num estilo influenciado pela Art Déco, como o fontanário na confluência das Ruas João de Deus e David Manuel da Fonseca (1931), a Moagem Maria Celeste, na Rua do Jornal O Riomaiorense (1932) (figura 34), a casa de José Faustino Bernardino, na Rua João de Deus n.os 17 a 21 (Anos 40) (figura 35), a residência de Eugénio Casimiro no Alto do Calvário (Anos 40) ou o Edifício Goucha na Praça da República (1954-57), e ainda edifícios de um gosto regionalista como o novo quartel dos Bombeiros Voluntários (1951-55) (figura 36).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(24)

ROCHA, Nuno – “Memórias da Comunidade Mineira de Rio Maior, 1916-1969”. In O Riomaiorense, 11.a Série, n.o 1. Rio Maior, 6 de Novembro de 2015, disponível na internet a 1 de Outubro de 2018.

(25)

ROCHA, Nuno – “O Caminho-de-Ferro Mineiro de Rio Maior ao Vale de Santarém”. In O Riomaiorense, 11.a Série, n.o 2. Rio Maior, 31 de Dezembro de 2016, disponível na internet a 1 de Outubro de 2018.

(26)

ROCHA, Nuno – “Arquitectura riomaiorense inventariada no IAPXX”. In Região de Rio Maior, n.º 919. Rio Maior, 19 de Maio de 2006.

(continua na página seguinte)

Figura 34 - Moagem Maria Celeste, Rua do Jornal O Riomaiorense. © Nuno Rocha, 2005. Arquivo O Riomaiorense.

Figura 36 - Antigo Quartel dos Bombeiros Voluntários. © Nuno Rocha, 2005. Arquivo O Riomaiorense.

Figura 35 - A Casa de José Faustino Bernardino, Rua João de Deus. © Nuno Rocha, 2016. Arquivo O Riomaiorense.

Director e Proprietário: Nuno Alexandre Dias Rocha, 2015-2019. © Todos os direitos reservados.                                                                                             Distribuição gratuita

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