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O Caminho-de-Ferro Mineiro de Rio Maior ao Vale de Santarém (14)

 

 

 

 

 

3. DO AUGE DA ACTIVIDADE MINEIRA AO ENCERRAMENTO E DESMONTAGEM DA VIA-FÉRREA

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A segunda metade da década de cinquenta assistirá ao recrudescimento da circulação ferroviária em resultado da estabilização da lavra mineira numa produção regular. O ano de 1956, no qual se atingirá a máxima produção anual de lignite de todo o período mineiro, inicia-se, no que respeita a registos noticiosos da via-férrea, com a mesma nota de anos anteriores: um novo sinistro, desta vez mortal, com o atropelamento nas proximidades da ponte do Barbancho, no concelho de Santarém, de um cidadão natural da freguesia de Azambujeira (102).

 

O acalentado projecto de extensão do ramal ferroviário à linha do Oeste é já para as populações da região uma causa perdida. A documentação disponível em arquivo regista apenas, durante a década de cinquenta e até à segunda metade da década de sessenta, a troca de correspondência entre organismos da administração do Estado, a CP, privados, e a Direcção Geral dos Transportes Terrestres (DGTT) sobre licenciamento de obras nas imediações do ramal, cujo teor revela a sua manutenção sob responsabilidade da Direcção Geral de Combustíveis, sem qualquer perspectiva de integração na rede geral.

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Nos termos das normas definidas pela portaria nº 6963, de 12 de Novembro de 1930, a Administração Geral dos Correios, Telégrafos e Telefones (CTT), solicita neste período à DGTT diversas autorizações para o atravessamento aéreo da via-férrea por linhas de telecomunicações (103), as quais obtêm como resposta invariável “que a linha de Rio Maior está sob jurisdição da Direcção Geral de Combustíveis” (104).

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É possível constatar que, devido à recusa de competência da DGTT para apreciar as intervenções no ramal de Rio Maior, se realizam obras de atravessamento da via por linhas de telecomunicações e de energia eléctrica sem respeito pelas disposições regulamentares, por ausência de protecção, conforme relata a CP em ofícios enviados àquela Direcção Geral (105).

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Em Julho de 1958, a Junta Autónoma de Estradas (JAE) procede ao estudo de variante à Estrada Nacional n.º 3 para supressão das passagens de nível do Vale de Santarém, cuja construção se previa já em 1944. Em ofício enviado à DGTT, o Presidente da JAE regista a “necessidade de atravessar a linha férrea de acesso ao Jazigos de lenhite de Rio Maior” e solicita “informação acerca da posição futura da referida linha férrea e se está prevista a sua integração em qualquer projectada via de ligação das linhas Norte e Oeste” (106).

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Em resposta, o Director Geral dos Transportes Terrestres, Mário Dias Trigo, além de uma vez mais remeter a responsabilidade sobre o ramal de Rio Maior para a Direcção Geral dos Combustíveis, informa que, até àquela data, “não está prevista a sua integração na rede geral de caminhos de ferro de serviço público, nem na concessão da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses” uma vez que “segundo o Plano aprovado, a sua origem devia ser no Setil” (107).

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Durante o ano de 1959, a Sociedade Eléctrica do Oeste Limitada (SEOL), promove, no âmbito de contrato de fornecimento de energia eléctrica assinado com a Câmara Municipal de Rio Maior, a instalação de novos ramais aéreos de 30 KV, que pontualmente terão necessidade de atravessar a via-férrea mineira. Uma vez mais suceder-se-ão as obras sem intervenção da DGTT, conforme é possível verificar em sucessivas informações da Direcção Geral dos Serviços Eléctricos (DGSE) de concessão de licença à SEOL para estabelecimento dos ramais com atravessamento da via-férrea, que terão como resposta o encaminhamento para a Direcção Geral dos Combustíveis (108).

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Maior indefinição surgirá durante toda a década de sessenta perante a necessidade de licenciamento de obras promovidas por privados na envolvente do ramal ferroviário, com o envio dos respectivos processos à DGTT, pela própria Direcção Geral dos Combustíveis, e a subsequente devolução dos mesmos com a alegação de falta de competência para a sua apreciação (109).

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Perante a ausência de medidas tendentes a uma futura integração na rede ferroviária nacional, e registando-se na segunda metade da década de sessenta um rápido declínio da sua única função – o transporte de lignite de Rio Maior até à Linha do Leste – a via-férrea de Rio Maior ao Vale de Santarém será progressivamente condenada ao abandono.

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(102)

O sinistro vitimou o Sr. João Rodrigues Murgueira, de 69 anos, casado e natural de Azambujeira. Ver: “Notícias diversas”. In O Riomaiorense (3ª série) nº159. Rio Maior, 10 de Fevereiro de 1956.

(103)

[Ofício enviado pela Administração Geral dos CTT à DGTT solicitando autorização para cruzamento de linhas de telecomunicação ao quilómetro 6.026 da via-férrea de Rio Maior]. Lisboa, 15 de Maio de 1953. 1p. + 1 peça desenhada em triplicado. ARQTT.

(104)

[Ofício enviado pela DGTT à Administração Geral dos CTT informando sobre a jurisdição da Direcção Geral de Combustíveis sobre a via-férrea de Rio Maior]. Lisboa, 15 de Julho de 1953. 1p. ARQTT.

(105)

[Ofício enviado pela CP à DGTT informando sobre a execução pela Administração Geral dos CTT de atravessamento aéreo da via-férrea de Rio Maior por linha de telecomunicações, ao quilómetro 6.100, sem cumprimento das condições regulamentares]. Lisboa, 22 de Julho de 1953. 2p. ARQTT.

(106)

[Ofício enviado pela JAE à DGTT informando sobre estudo de variante à Estrada Nacional n.º 3 com atravessamento da via-férrea de Rio Maior e solicitando informação sobre posição futura da linha e sua possível integração em via de ligação das linhas do Norte e Oeste]. Lisboa, 10 de Julho de 1958. 1p. ARQTT.

(107)

[Ofício enviado pela DGTT à JAE remetendo para jurisdição da Direcção Geral de Combustíveis sobre a via-férrea de Rio Maior e informando sobre a inexistência, até à data, de previsão da sua integração na rede geral de caminhos de ferro de serviço público]. Lisboa, 18 de Julho de 1958. 1p. ARQTT.

(108)

[Ofício enviado pela DGSE à DGTT informando sobre concessão à SEOL de licença para estabelecimento de ramal aéreo de 30 KV, com atravessamento da via-férrea de Rio Maior ao quilómetro 29.770]. Lisboa, 12 de Junho de 1959. 1p. ARQTT.

(109)

[Ofício enviado pelo Ministério das Obras Públicas ao Ministério das Comunicações remetendo exposição de Bernardo Valente de Sousa Varela, da Vila da Marmeleira]. Lisboa, 16 de Agosto de 1961. 1p. ARQTT.

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